Não basta ser contra, é preciso entender antes de criticar; é preciso ter sensibilidade e senso de justiça social — é necessário ter passado fome para poder aplaudir.
O Vale do Jequitinhonha abriga o Escritor Gil de Sá, que, por meio da pesquisa e da própria experiência de vida, reflete sobre as críticas históricas associadas à miséria da região e desmistifica a ideia de acomodação do povo pobre que recebe benefícios sociais.
Trata-se de um território marcado pela negligência do poder público, onde a falta de investimentos aprofunda desigualdades sociais estruturais e, por esta razão, necessita de atenção e investimento maciço em educação.
A partir de sua trajetória pessoal, Gil de Sá demonstra que a educação é um caminho fundamental para a transformação social. Em suas palestras, ele questiona o discurso recorrente de que políticas públicas como o Bolsa Família, o antigo Bolsa Escola, o Programa Pé-de-Meia e as Cotas Raciais “acomodam” a população mais pobre.
Para o escritor, é preciso compreender a realidade das pessoas que dependem desses programas, sobretudo em regiões de extrema pobreza, onde as oportunidades são escassas e o acesso a direitos básicos é limitado. Nessas condições, tais políticas não representam privilégio, mas instrumentos mínimos de sobrevivência e inclusão social.
Gil de Sá analisa ainda as dificuldades e limitações dessas políticas, sem ignorar suas falhas, mas reconhecendo que sua ausência agravaria ainda mais a exclusão social. Não basta “ensinar a pescar” quando não há peixe: fatores como a seca, comuns no Nordeste e no Vale do Jequitinhonha — inserido no Polígono da Seca — comprometem qualquer tentativa de autonomia sem suporte estrutural.
Em suas obras, o autor destaca a dívida histórica do país com os mais pobres e aponta que a resistência a essas políticas revela o incômodo com o fim da exploração social. Reclamações sobre a falta de mão de obra ignoram um passado recente de segregação explícita e a permanência de formas modernas de exploração, como o trabalho em condições análogas à escravidão em carvoarias, mineração e grandes lavouras.
Ao evidenciar essas contradições, Gil de Sá contribui para um debate necessário sobre justiça social, memória histórica e responsabilidade coletiva.
Antes de qualquer comentário ofensivo aos beneficiários destes programas, é necessário estudar sobre as necessidades reais da sociedade brasileira, que muitas vezes não tem sequer seus direitos básicos reconhecidos como direito à moradia, saúde, educação, energia, água e esgotamento sanitário.
É preciso ter a capacidade de se indignar para conseguir enxergar o sofrimento de um povo. É preciso ter sensibilidade e, acima de tudo, ter passado um pouco de sofrimento para compreender o outro.
OPINIÃO: Texto enviado por Claugildo de Sá. O veículo não se responsabiliza pelas opiniões expressas

